Réss Fëanáry *
Bem-vindo novamente a Thargor!
Faz alguns meses, um pessoal do sul, mais precisamente del Rio Grande, tchê, entrou em contato comigo e, papo vai, papo vem, acabou pintando um convite bacanudo para participar de um projeto que, salvo engano, é pioneiro no cenário fantástico nacional.
Ainda não posso revelar nada dessa nova empreitada ou da editora que encabeça o projeto, sob pena de esconjuro, a não ser que eles tiveram a grande ideia de revisitar histórias de espada & magia [sword & sorcery] bem ao estilo de escritores como Robert E. Howard, Michael Moorcock e Fritz Leiber.
Convite aceito, aproveitei a ocasião [e o tema mais que oportuno] para explorar uma região de Thargor que ainda não tinha visitado. Assim, surgiu a primeira noveleta passada nas Terras Ermas que narra uma história sobre os Midh’raÿ [sabe quem são, não? Então, dá uma lida na minibio deles AQUI].
O projeto, que deve sair no início de outubro, está sendo mantido a sete chaves, mas pra botar um 'cadinho a mais de tempero na coisa, resolvi liberar um pedacinho da história, chamada “A dama da Casa de Wassir”, pra já ir aguçando a curiosidade.
Enjoy it [ou, como diriam os thargorianos: “Dah hechya”].
Excerto: A dama da Casa de Wassir
[...] As grandes muralhas de Wassir En Nash davam a Atha’ny uma estranha sensação de desconforto. Acostumado aos amplos espaços abertos das praias brancas de Heya, a aldeia central dos shoar’ym, onde nascera, e ao horizonte do mar sem fim que lhe tomava a face sul, para ele, estar entre muros altos era mais um desafio que aquela jornada lhe impunha, como se as paredes enegrecidas em torno de si o prendessem como uma gaiola. Para além delas, o horizonte longínquo delineava a majestosa barreira de montanhas e a extensa faixa de terras que levava à Thargor, o grande continente fronteiriço situado no ocidente do mundo.
Atha’ny já ouvira muitas histórias sobre os homens que habitavam as vastas terras onde o sol surgia primeiro, muitas delas trazidas pelos Wash’Yiár, os Clãs de Comércio que recentemente haviam travado conhecimento e negócio com eles. Outras, oriundas das poucas incursões que guerreiros Midh’raÿ haviam feito para além da fronteira. Certa feita, quando ainda jovem, ouvira de um guerreiro que aportara em sua aldeia, vindo do norte mundo, histórias sobre as Grandes Guerras e os muitos assaltos perpetrados por seu pequeno grupo de bravos às cidades dos thargorianos, ainda pouco dados às artes da guerra que seu povo tão bem dominava desde o nascimento. À época, Atha’ny ouviu admirado o estranho contar sobre a lenda que surgiu entre eles acerca da assombrosa capacidade mística dos Midh’raÿ de se misturarem às sombras, dom que, segundo tal história, fora obtido através de um pacto com os Amu’darash, chamados por eles de Senhores das Sombras. Depois de anos de guerras, o continente gozava agora de uma paz duradoura, graças em parte a um grupo de lordes mágicos que, segundo soubera, haviam se tornado detentores de um poder incomensurável. Um deles, inclusive, que presenciaria a Noite da Aliança, logo mais.
— Meu senhor — uma escrava branca, de olhar passivo que refletia a cor das ondas do mar distante, assomou-se à porta. — Os Senhoriais o aguardam no grande salão.
Era de uma beleza singular, a escrava. A pele alva e o sotaque levemente estranhado indicavam que provavelmente havia sido trazida das aldeias mais ao norte. Vestida à maneira dos habitantes de Wassir — com uma túnica curta que lhe cobria pouco mais da metade do corpo, deixando as longas pernas e o colo convidativamente expostos — ela se mostrava irresistivelmente encantadora. Aquele não era o mais apropriado dos momentos, mas Atha’ny não conseguiu reprimir o desejo que lhe surgiu sem aviso ante o chamado que emanava do corpo da jovem escrava. Graças àquela maldita viagem, a Noite das Descobertas lhe havia sido negada e agora ele teria de esperar sabe-se lá quanto tempo até poder provar pela primeira vez da carne tenra de uma fêmea. Ele aproximou-se devagar, acariciando seu rosto com a ponta dos dedos, enquanto ela involuntariamente recuava, assustada.
— M-meu... senhor...?
Atha’ny sentiu o desejo se intensificar ante a negativa da escrava, mas buscou se controlar. Não sabia se ela já tinha dono e não seria um bom presságio iniciar as relações com seus futuros aliados lhe roubando os escravos. Contrafeito, ele afastou-se, recolheu a espada de sobre o móvel, apertou no pulso a emblema de Dash’wa — cuja insígnia de Shoar reluzia a ouro e as cinco cabeças reptílicas traziam pequenas preciosidades em lugar dos olhos —, artefato especialmente preparado para aquela noite e que, ao final, seria entregue a sua noiva, como forma de selar a união entre os Clãs, e seguiu a escrava para fora do quarto. Aquele era já o segundo dia desde a chegada a Wassir En Nash. Depois de acolhidos pelos senhores do lugar e devidamente acomodados, ele passara a cumprir os rituais protocolares que a situação exigia: se apresentara ante o Senhor de Guerra e governante da Cidade-Império e lhe oferecera os seis presentes sagrados; estivera na presença do Pai do Tempo e lhe mostrara as seis marcas do eleito, feitas por cada uma de suas Seis Espadas, e visitara o Templo de Dash’wa, a Única — uma construção imponente que ocupava a praça principal da cidade —, depositando sobre o altar uma gota de seu sangue, cumprindo assim as honrarias que deveriam ser prestadas por um guerreiro Midh’ray e futuro consorte de uma filha de Wassir.
A escrava o conduziu por um largo corredor, desordenadamente ornamentado por uma sorte de armarias e apetrechos de guerra pendurados ou simplesmente jogados junto às paredes, deixando-o às portas de um amplo salão localizado na parte mais alta da construção. Sobre o madeiramento enegrecido, desenhos rústicos pareciam querer contar, embora sem muito sucesso, a história do povo que fundara aquela cidade. Antes que Atha’ny pudesse indagar-lhe o que viria a seguir, ela desapareceu. [...]
* Réss fëanáry significa, em Anthár, “Saudações (seja bem-vindo), Visitante!”.










Olá! Ja tinha lido antes esse post, passei de novo para ver se tinha atualizado o site e realmente fiquei mais curioso, principalmente sabendo que é com algum pessoal do Rio Grande do Sul. Qualquer coisa da um toque para nós la no site!
ResponderExcluirAbração.
OPa,
ResponderExcluirValeu pela visita, Tiago. To na dependência dos editores pra poder falar mais sobre o projeto, mas assim que liberar, passo pra vc's, com certeza.
Abração