Réss Fëanáry *
Bem-vindo novamente a Thargor!
Depois de muito mistério e algumas pistas espalhadas aqui e ali, finalmente foi revelado o projeto de espada & magia do qual participo com uma história passada no universo de Thargor, mais precisamente nas inóspitas Terras Ermas.
“Sagas, Volume 1 – Espada e Magia” é o primeiro livro de uma série de fantasia épico-medieval que a novíssima Editora Argonautas pretende lançar no mercado. A ideia do projeto é resgatar a aura dos contos e histórias fantásticas das velhas séries pulp, os famosos livros de bolso que fizeram sucesso nas décadas de 1960 e 1970. Tais histórias se tornaram conhecidas através dos trabalhos de autores como Robert E. Howard, pai das personagens Conan, Kull e Red Sonja, Michael Moorcock e o seu Elric de Melniboné e o ciclo de Lankhmar, de Fritz Leiber, só pra citar os exemplos mais recorrentes.
E para abrir esse primeiro número em grande estilo, eu e mais três autores — Georgette Silen, Duda Falcão e César Alcázar — assumimos a missão de criar histórias que evocassem esse universo de guerreiros audazes, lutas e feitiçarias. E, mesmo sendo suspeito pra falar, acho que o resultado ficou mais do que satisfatório!
“A dama da Casa de Wassir” traz pela primeira vez uma história totalmente focada nos Midh’raÿ, os povos que habitam as vastidões das Terras Ermas, a oeste de Thargor. A noveleta conta as aventuras de Atha’ny, príncipe guerreiro dos shoar’ym que se vê obrigado a embarcar numa jornada que mudará o destino de sua tribo e o seu próprio. Na trama, duas sociedades guerreiras se encontram para uma aliança militar selada por um casamento, mas o fato de ter que se casar com alguém que ele nunca viu é a menor das preocupações de Atha’ny, que terá de enfrentar seguidos testes de honra e coragem contra homens e mulheres armados de lâminas afiadas, entre eles a sua própria noiva. Vencidos os primeiros embates, ele terá de se confrontar com o maior desafio de sua vida, o temível feiticeiro Saavish.
Segundo Roberto de Souza Causo, prefaciador do Sagas, o conto “investe substancialmente na caracterização cultural do universo de Thargor. Com períodos longos e elegantes, são pintadas paisagens e relações culturais, [...] onde as traições e surpresas são muitas, conforme a leitura se acelera rumo ao desenlace. O leitor que busca emoções fortes não ficará decepcionado com essa noveleta”.
“A Cidadela de Elan”, de Georgette Silen, “As Lágrimas do Anjo da Morte”, de César Alcázar e “Sem Lembranças daquele Inverno”, de Duda Falcão são os outros contos que integram esse primeiro volume da Coleção Sagas. A bela arte da capa ficou a cargo do desenhista norte-americano Nathan Milliner, que criou a ilustração especialmente para o projeto.
O livro será lançado dia 20 de novembro, durante o Jedicon, aqui em São Paulo.
Abaixo, a capa completa e mais um trecho do meu conto, pra dar um gostinho do que vem por aí:
Excerto: “A dama da Casa de Wassir”.
“A noite chegou sem aviso, semioculta pelo tecido fino da Tenda Cerimonial, e Atha’ny a recebeu com a mesma indiferença das noites anteriores. Estava no sexto dia de jornada, sexto dia das festas ritualísticas que o apresentariam a seu futuro. O penúltimo de uma vida que já lhe afigurava perdida.
Estirou-se sobre as almofadas, sem dar importância às queixas da escrava que tentava a todo custo terminar os desenhos semicirculares que deveriam enfeitar seu corpo para a cerimônia de logo mais. Já se cansara de toda aquela reclusão, das festas diárias e dos rituais, da longa jornada, dos conselhos monótonos dos homens mais velhos... estava cansado de uma vida que nem sequer tinha se iniciado. Retornou o corpo à posição inicial ante as súplicas da escrava, e, carente de opções, se deixou ficar, inerte, os olhos fechados, ouvindo ao longe os ecos das lembranças.
As areias brancas e revoltosas de sua vila lhe vieram à mente e, entre os pequenos redemoinhos que corajosamente desafiavam as ondas, a imagem das guerras territoriais que travava com seus amigos lhe surgiu vigorosa. Fazia tão pouco tempo, e agora tudo isso parecia pertencer a um passado distante.
A escrava picou-lhe a perna com o lápis de tinta, trazendo-o de volta à realidade da tenda. Atha’ny pensou em pelo menos três modos diferentes de castigá-la, mas em que pese a fecundidade da mente, faltou-lhe o ânimo do corpo para tanto e, mal terminada a pintura, ele a enxotou com um gesto brusco. Estava irritado. Não, irritado não. Desassossegado. A menos de um dia da encruzilhada que dividiria seu destino, ele ainda não sabia como se comportar. Em seu Clã, sempre fora o guerreiro mais destacado, o primeiro a brandir a espada contra os inimigos e o último a colocá-la em repouso na bainha, o filho primeiro e dileto de seu povo, orgulho dos shoar’ym da Costa do Mar Oriental. E, no entanto, pela primeira vez, Atha’ny não sabia como se portar, como agir e o que fazer quando chegasse o momento de enfrentar sua dash’ya, sua noiva”.
E para abrir esse primeiro número em grande estilo, eu e mais três autores — Georgette Silen, Duda Falcão e César Alcázar — assumimos a missão de criar histórias que evocassem esse universo de guerreiros audazes, lutas e feitiçarias. E, mesmo sendo suspeito pra falar, acho que o resultado ficou mais do que satisfatório!
“A dama da Casa de Wassir” traz pela primeira vez uma história totalmente focada nos Midh’raÿ, os povos que habitam as vastidões das Terras Ermas, a oeste de Thargor. A noveleta conta as aventuras de Atha’ny, príncipe guerreiro dos shoar’ym que se vê obrigado a embarcar numa jornada que mudará o destino de sua tribo e o seu próprio. Na trama, duas sociedades guerreiras se encontram para uma aliança militar selada por um casamento, mas o fato de ter que se casar com alguém que ele nunca viu é a menor das preocupações de Atha’ny, que terá de enfrentar seguidos testes de honra e coragem contra homens e mulheres armados de lâminas afiadas, entre eles a sua própria noiva. Vencidos os primeiros embates, ele terá de se confrontar com o maior desafio de sua vida, o temível feiticeiro Saavish.
Segundo Roberto de Souza Causo, prefaciador do Sagas, o conto “investe substancialmente na caracterização cultural do universo de Thargor. Com períodos longos e elegantes, são pintadas paisagens e relações culturais, [...] onde as traições e surpresas são muitas, conforme a leitura se acelera rumo ao desenlace. O leitor que busca emoções fortes não ficará decepcionado com essa noveleta”.
“A Cidadela de Elan”, de Georgette Silen, “As Lágrimas do Anjo da Morte”, de César Alcázar e “Sem Lembranças daquele Inverno”, de Duda Falcão são os outros contos que integram esse primeiro volume da Coleção Sagas. A bela arte da capa ficou a cargo do desenhista norte-americano Nathan Milliner, que criou a ilustração especialmente para o projeto.
O livro será lançado dia 20 de novembro, durante o Jedicon, aqui em São Paulo.
Abaixo, a capa completa e mais um trecho do meu conto, pra dar um gostinho do que vem por aí:
Excerto: “A dama da Casa de Wassir”.
“A noite chegou sem aviso, semioculta pelo tecido fino da Tenda Cerimonial, e Atha’ny a recebeu com a mesma indiferença das noites anteriores. Estava no sexto dia de jornada, sexto dia das festas ritualísticas que o apresentariam a seu futuro. O penúltimo de uma vida que já lhe afigurava perdida.
Estirou-se sobre as almofadas, sem dar importância às queixas da escrava que tentava a todo custo terminar os desenhos semicirculares que deveriam enfeitar seu corpo para a cerimônia de logo mais. Já se cansara de toda aquela reclusão, das festas diárias e dos rituais, da longa jornada, dos conselhos monótonos dos homens mais velhos... estava cansado de uma vida que nem sequer tinha se iniciado. Retornou o corpo à posição inicial ante as súplicas da escrava, e, carente de opções, se deixou ficar, inerte, os olhos fechados, ouvindo ao longe os ecos das lembranças.
As areias brancas e revoltosas de sua vila lhe vieram à mente e, entre os pequenos redemoinhos que corajosamente desafiavam as ondas, a imagem das guerras territoriais que travava com seus amigos lhe surgiu vigorosa. Fazia tão pouco tempo, e agora tudo isso parecia pertencer a um passado distante.
A escrava picou-lhe a perna com o lápis de tinta, trazendo-o de volta à realidade da tenda. Atha’ny pensou em pelo menos três modos diferentes de castigá-la, mas em que pese a fecundidade da mente, faltou-lhe o ânimo do corpo para tanto e, mal terminada a pintura, ele a enxotou com um gesto brusco. Estava irritado. Não, irritado não. Desassossegado. A menos de um dia da encruzilhada que dividiria seu destino, ele ainda não sabia como se comportar. Em seu Clã, sempre fora o guerreiro mais destacado, o primeiro a brandir a espada contra os inimigos e o último a colocá-la em repouso na bainha, o filho primeiro e dileto de seu povo, orgulho dos shoar’ym da Costa do Mar Oriental. E, no entanto, pela primeira vez, Atha’ny não sabia como se portar, como agir e o que fazer quando chegasse o momento de enfrentar sua dash’ya, sua noiva”.
* Réss fëanáry significa, em Anthár, “Saudações (seja bem-vindo), Visitante!”.












Parabéns, tio rober. Ansioso para ler o seu conto thargoriano. Que venham muitos projetos como esse... e tb os romances né? =*
ResponderExcluirValeu, tio Eric.
ResponderExcluirOs livros se tornaram pauta obrigatória [tenho um inquisidor pessoal com a arma apontada pra mim... rs].
Espero que curta minha historinha de casamento.
Bjos
Parabéns pelo projeto, Rober. Fiz uma chamada a respeito em meu blog
ResponderExcluirhttp://cidadephantastica.blogspot.com/2010/11/espada-magia.html
Valeu mesmo, Robeu.
ResponderExcluirBrigado pelo espaço e pela divulgação.
Abração
A capa tem um jeitão de Espada Selvagem de Conan com Heavy Metal. Parabéns, Rober.
ResponderExcluirOlá, Rober! Obrigado por divulgar o livro e participar dele. Um grande abraço!
ResponderExcluirDuda
Cirilo,
ResponderExcluirEssa era realmente a ideia: entrar de cabeça no universo do Howard sem perder de vista a inovação.
Fico feliz que tenha gostado. Alguma chance de te ver no lançamento, dia 20?!?!
Abraço
Sempre às ordens, meu caro Duda.
ResponderExcluirAliás, eu é que agradeço a oportunidade de participar de um projeto tão bacana.
E que venham mais e novos!
Abraços
Olá,
ResponderExcluirEncontrei seu site num blog, na página de autores parceiros.
Eu estava interessada em saber se você aceita enviar-me alguma(s) de suas obras literárias (autografadas, caso seja possível) para que eu possa ler e resenhar ela em meu blog (primeiro-livro.com) e sorteá-la depois, caso você deixe.
Peço-lhe, por favor, que caso aceite, responda-me mais breve possível por este mesmo e-mail.
Se for de seu interesse talvez depois, também possamos disponibilizar em meu blog, uma entrevista que farei com você.
Aguardo ansiosamente pelo se retorno.
Abraços,