segunda-feira, 7 de maio de 2012

De Traição e de Sombras nos Paradigmas - Definitivos


Réss Fëanáry* 

Bem-vindo novamente a Thargor!

Vocês se lembram que no post anterior eu mencionei que mais um conto thargoriano ia ganhar em breve uma edição em papel, dentro de um projeto super bacanudo?   

Pois, então! Finalmente a novidade foi anunciada. E veio na forma dessa bela arte aqui ao lado. A Tarja Editorial divulgou a capa dos Paradigmas – Definitivos, um calhamaço de respeito de reúne cerca de 23 autores com contos que abordam todas as vertentes da ficção cientifica, fantasia e horror, sempre tendo a quebra de paradigmas como elemento centralizador.

E para minha felicidade, o conto De Traição e de Sombras foi escolhido para figurar entre estes 23 eleitos. Essa foi umas das primeiras histórias que escrevi com uma personagem derivada diretamente da série Lordes de Thargor, mais especificamente do primeiro livro, O Vale de Eldor [todos os contos que publiquei com temática thargoriana abordam personagens do universo expandido].

O conto apresenta o guerreiro Ilmory Lupus Gaurain e faz uma releitura do clássico mito do lobisomem. Porém, aqui não é o sétimo filho do sétimo filho que sucumbe à maldição e à loucura e sim um grande senhor de guerra que, devido à sua ânsia por poder, acaba sendo despojado de praticamente tudo.

O lançamento dos Paradigmas – Definitivos está previsto para junho e a pré-venda deve começar muito em breve. Então isso, que tal um trecho do conto pra você já ir degustando um pouco da coisa?

A tarde estava anormalmente agitada. Cada arbusto, moita e cada copa frondosa tomada por seu mundo particular de burburinhos, chilreios, gritos e alaridos. As vozes em meio às árvores eram muitas e variadas, os sons, uma dezena de instrumentos desordenados e, ainda assim, ele distinguia claramente a respiração suave de sete criaturas que não pertenciam àquele lugar. Sete sons delicados, dissonantes, que maculavam a balburdia da floresta.

O ritmo continuava o mesmo; pelo chão ou sobre os galhos altos ele não abrandara a fuga, mesmo diante do cansaço que lhe chegava de mansinho, cobrindo como uma sombra insidiosa seus pés doloridos. Depois da última loucura, das longas noites de dor e desespero, congeladas sob a sinistra placidez anilada de Anu, a lua, ele só queria um pouco de quietude, recostar-se num canto qualquer e deixar que sua mente se afastasse para longe, que os sussurros e as vozes calassem. Seus pés, no entanto, o haviam traído, levado sua fúria para onde não devia. E, na escuridão da noite da floresta, depois de dias de caminhar ao ermo, seus olhos vislumbraram uma fraca luz e seus sentidos ouviram sons de vida. E a loucura novamente se apossou dele”.

* Réss fëanáry significa, em Anthár, “Saudações (seja bem-vindo), Visitante!”.